Poemas analisados

Tópicos:
- Os dois poemas constituem uma espécie de "testamento poético";
- Escritos ainda em vida colocam a hipótese da sua existência poder suscitar interesse daí a utilização das orações subordinadas condicionais no inicio dos textos;
- Em ambos os textos, o sujeito poético afasta-se dos pensamentos como forma de compreender o mundo;
- O eu lírico contrapõe ao pensamento o conhecimento propiciado pelos sentidos;
- Ao repetir a forma verbal "Compreendi" e ainda que seja para negar a atividade mental/racional denuncia a sua preocupação com o raciocínio;
- Ao aproximar-se de uma "criança" o sujeito poético reforça uma imagem de ingenuidade, inocência e maior dedicação às vivências sensoriais do que à reflexão;
- A "religião universal" é segundo o poeta aquela "que só os homens não têm" é a crença nos elementos reais e naturais aos quais o eu lírico faz a apologia da natureza por oposição às religiões humanas enquanto um conjunto idealizado de convenções;
- O sujeito poétco apresenta-se como alguém simples, avesso ao pensamento e àquilo que ele acrescenta às sensações por essa razão aproxima-se à pureza e à simplicidade da criança.

Tópicos:
- O sujeito poético compara-se com um "pastor", pois, como ele, vive em deambulismo e em comunhão com a natureza;
- Importância da ausência de seres racionais na criação do ambiente de "paz" que envolve o sujeito poético;
- Desgosto de ser um ser racional;
- Ligação ao presente concreto e recusa de conjeturas (opiniões sobre determinada matéria);
- Caracterização como um ser natural, integrado no espaço bucólico.

Tópicos:
- O poema divide-se em 2 momentos: o 1º corresponde às 2 primeiras estrofes e a 2ª à última estrofe. Na 1ª parte o sujeito poético faz a afirmação do seu sensacionismo, na 2ª através do exemplo sintetiza a ideia de que a verdade está no conhecimento através dos sentidos;
- Através da metáfora "Sou um guardador de rebanhos"(v.1), o sujeito poético mostra-se como um ser natural;
- O sujeito poético passa de "triste"(v.10) a "feliz"(v.14) no momento em que substitui a percepção mental do prazer "gozá-lo"(v.10) pela ligação direta com a realidade "sinto todo o meu corpo deitado na realidade" (v.15);
- Sensacionismo como a única forma do conhecimento autêntico e forte de felicidade.

Tópicos:
- O sujeito poético manifesta estranheza/pena relativamente aos poetas que "trabalham os seus versos" o que para ele não faz sentido;
- Os poetas fazem um trabalho formal, minucioso e exigente, dedicando-se a uma poesia elaborada, pensada e produzida como outras construções humanas;
- O eu lírico estabelece uma oposição entre o trabalho poético assente no rigor formal "dos poetas artistas" e a sua "poesia natural". "Florir" remete-nos para a naturalidade e espontaneidade que tem a sua poesia;
- Ao recusar o pensamento, afirmando que se aproxima "de quem não pensa" o eu enunciador serve-se, no entanto, do verbo pensar para designar a ação que pratica. Deste modo envolve-se na intelectualização que regeita e expressa a contradição que a sua poesia frequentemente denuncia;
- O sujeito poético rejeita qualquer atividade mental que se oponha à autenticidade dos elementos naturais, incluindo os sonhos que ocorrem durante o sono.

Tópicos:
- o sujeito poético vê a sua aldeia "tão grande como outra qualquer"(v. 3) porque desse local se tem um horizonte de visão abrangente e, para o sujeito poético, aquilo que se é capaz de ver é que determina a dimensão do lugares e dos seres;
- O sujeito poético associa a aldeia a largura de todo o céu por isso está associado à aldeia a capacidade de ver e nela reside a riqueza de quem vê;
- A cidade aparece como um lugar pequeno e fechado porque restringe o campo de visão, as suas construções limitam o olhar e por isso impedem-nos de ver a natureza e o universo;
- O tamanho de cada pessoa mede-se apartir daquilo que ela é capaz de ver: se tem uma visão larga e abrangente é rico e grande; se tem uma visão limitada e restrita é pobre e pequeno;
- Na frase "Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave " está presente uma metáfora, através da qual se expressa a limitação que as casas da cidade impõem às pessoas que nelas vivem relativamente ao que veem. Esta metáfora contribui para a caracterização negativa da cidade em oposição à aldeia.